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150 toneladas de alimentos vão para o lixo na Ceagesp

Segundo a Ceagesp, 150 toneladas de alimentos vão para o lixo, por dia, no entreposto da capital paulista!

Pragas na lavoura, problemas na colheita, infraestrutura viária deficiente, falta de armazéns ou unidades de armazenagem defasadas, embalagens ineficientes, desinformação do consumidor.

São muitos os fatores que levam às perdas e desperdícios de alimentos. Pelos cálculos da FAO anualmente 1,3 milhões de toneladas de produtos alimentícios são desperdiçados em todo o mundo. No Brasil, de acordo com o IBGE, são descartadas 41 mil toneladas de comidas todos os anos.

O problema é mais grave quando se trata de hortifrutis. Somente no Ceagesp vão para o lixo 150 toneladas de alimentos por dia, o que corresponde a 1,36% de todo o movimento do local.

Segundo a chefe do Centro de Qualidade em Horticultura da central atacadista, Anita Gutierrez, uma das palestrantes do Congresso ANUFOOD Brazil – Feira Internacional Exclusiva para o Setor de Alimentos e Bebidas – a deficiência no sistema de logística é o maior problema no setor e quem paga o custo dessas perdas são os produtores e os consumidores. “Temos cinco sistemas de embalagem e transporte que não são eficientes. Com exceção da embalagem, paletização e refrigeração, que garantem perdas menores, as demais geram problemas de qualidade nos produtos”.

Para Anita, é preciso falar em prevenção contra as perdas. “Hoje enfrentamos também a fragilidade do produtor na comercialização, diferentes origens em cada época para manter o abastecimento de frutas e verduras, o grande número de produtores, produção especializada e fragmentada e diferentes sistemas convivendo no mesmo espaço”.

Somente o Ceagesp compra de 1,5 mil municípios em 24 estados, além de 25 países. Pelos cálculos de Anita, são cerca de 35 mil produtores envolvidos.

Para solucionar os problemas de perdas de hortifrutis, Anita apresentou algumas propostas:

1 – Criação e implementação de um código comercial para alimentos perecíveis frescos com a definição das responsabilidades e a responsabilização de cada agente da produção, do transporte e da comercialização, até o consumidor, com Justiça rápida.

2- Criação de uma estrutura legal para que os produtores e seus primeiros compradores, operando sob sanção governamental, assumam a governança de sua cadeia e invistam no seu futuro e na solução dos seus problemas comuns.

3- Criação de um programa de modernização da logística e da conservação dos produtos hortícolas frescos.

4- Padronização de embalagens (tamanhos, encaixes,..)

5- Transformação dos programas de compra pública em ferramentas de melhoria de competitividade e de inserção no mercado do agricultor familiar.

6- Acesso à internet e à telefonia rural.

7- Exigência de obediência, com programas prévios de adequação, à legislação de: rotulagem, com identificação do responsável pelo produto, padrões mínimos de qualidade, transporte de alimentos, rastreabilidade e embalagem; proibição, com TAC (Termo de Ajuste de Conduta), de transporte a granel de frutas e hortaliças, a utilização da sacaria sem embalagem secundária.

8 – Investimento na competência de quem produz, transporta e comercializa no varejo e no serviço de alimentação.

9- Transformação do Ceasa num pólo de transformação e concorrência.

E por falar em Ceagesp, clique aqui e saiba um pouco da história do maior entreposto de alimentos da América Latina!

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Especialista ambiental. Há quase 10 anos trabalha para reduzir os impactos socioambientais gerados pelas atividades humanas.