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Preços dos alimentos e a desglobalização: existe relação?

O Foodnews abre espaço para incluir em sua pauta um assunto em crescente discussão: um possível cenário de desglobalização. E caso isso ocorra, qual impacto nos preços dos alimentos?

São fortes os indícios de que o ano de 2017 pode se tornar um marco de grandes mudanças na ordem político-econômica mundial.

Em sintonia com essas recentes discussões, vamos falar de desglobalização e das possíveis consequências nos preços dos alimentos.

A aprovação do Brexit, combinada com mudanças na orientação política dos Estados Unidos, deve desencadear ações rumo à desglobalização. Será?

De qualquer modo, esse cenário pode preocupar. Lembrando que na primeira semana de seu governo, Trump retirou os Estados Unidos do TTP.

De fato, Donald Trump cumpriu o prometido: retirou os Estados Unidos do Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica (TPP, na sigla em inglês) apenas três dias depois de assumir o cargo.

O acordo foi alcançado em 2015 após anos de negociações, com objetivo de reduzir barreiras comerciais com o corte ou redução de tarifas de importação entre países membros e, com isso, aumentar o fluxo de bens e serviços.

Antes da saída dos EUA, o TPP reunia 40% da economia mundial e um mercado que reunia cerca de 800 milhões de consumidores. Contudo, Japão, Austrália, Canadá, México, Peru, Chile, Malásia, Vietnã, Nova Zelândia, Cingapura e Brunei continuam no pacto.

A China torna-se forte candidata a preencher o vácuo deixado.

Neste caso, o comércio entre Brasil e Ásia em mercados de produtos primários – especificamente em setores de grãos, leite, carne e açúcar – pode ser reduzido, beneficiando seus competidores como Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio ilustram que muitos dos países envolvidos no TPP são importantes players em mercados de relevância para as exportações brasileiras. Sem dúvida, portanto, desvios de comércio resultariam em efeitos negativos para o Brasil.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o país encontra-se muito aquém de outros países da América do Sul, como o Chile, Colômbia e o Peru quando o assunto são acordos comerciais internacionais. O Brasil, de fato, não tem mostrado qualquer ação efetiva neste sentido.

Em outras palavras, o país tem uma forte dependência do mercado chinês quando o assunto é exportação, como de soja e carne bovina. E isso vai além de qualquer possível movimento de desglobalização.

Isso é preocupante, pois a forte dependência do mercado chinês, por exemplo, coloca em risco a sustentabilidade dos preços dessas commodities caso ocorra alguma ruptura ou movimento que coloque em desvantagem comercial os produtos brasileiros.

E qual efeito desse movimento nos preços dos alimentos?

Devemos lembrar que a soja está relacionada aos preços dos alimentos, principalmente de origem animal, como carnes e derivados do leite. E caso haja alguma queda no volume de exportação dos grãos oriundos do Brasil, a queda nos preços é praticamente certo!

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