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Risco de extinção das abelhas compromete mais que a produção de mel

Como sabemos, as abelhas são responsáveis pela polinização de centenas de árvores frutíferas.

Algumas espécies vegetais são tão dependentes desses insetos para se reproduzirem que a extinção das abelhas pode levar à extinção da planta.

Como muitos animais se alimentam de frutos e utilizam as árvores para abrigar ninhos, com a redução da quantidade de abelhas há um impacto negativo em todo o meio ambiente, podendo haver uma extinção de espécies animais.

“A conservação das abelhas é de extrema importância para a preservação ambiental e da biodiversidade, garantia de produção de alimento e geração de renda para apicultores”, explica a pesquisadora Fábia de Mello Pereira, líder de um projeto sobre conservação de recursos genéticos de insetos polinizadores.

Na produção agrícola, as abelhas são consideradas o agente polinizador mais importante e eficiente, sendo responsáveis pela polinização de aproximadamente 73% das espécies cultivadas em todo o mundo.

Além dos impactos ambientais, também a segurança e diversidade alimentar, a garantia da nutrição humana e preços dos alimentos são estritamente relacionados à atuação dos agentes polinizadores.

A produção de mel, própolis, pólen apícola, geleia real, apitoxina e as próprias colônias de abelhas, representam importante fonte de renda, especialmente na agricultura familiar.

O desaparecimento das abelhas preocupa especialistas, organizações governamentais e não governamentais em todo o mundo.

Uma das causas dessa perda é o fenômeno da Desordem do Colapso das Colônias (DCC), ainda não registrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Brasil. “Os problemas relacionados à perda de enxames e mortalidade de colônias no país possuem como causa a seca, desmatamento e uso indiscriminado de agrotóxico”, esclarece a pesquisadora.

Esse fenômeno foi inicialmente relatado em 2006 nos Estados Unidos, quando vários apicultores começaram a observar que colônias fortes estavam tendo uma redução grande na população de operárias sem que houvesse alguma causa específica.

Esta redução na população, em geral, é atribuída à falta de alimento, perda de rainha, mortalidade causada por uso de agrotóxicos, doenças ou ataque de inimigos naturais, mas nenhum destes problemas foi observado pelos apicultores, o que deixou os pesquisadores intrigados.

A causa da DCC ainda não foi definida e embora no Brasil não existam dados oficiais sobre a redução da população de abelhas, apicultores e pesquisadores têm observado nos últimos anos a perda de abelhas causada principalmente por desmatamento, uso indiscriminado de agrotóxicos e períodos prolongados de seca.

Ações voltadas para conscientização sobre a importância das abelhas, resgate de enxames em risco e incentivo à criação de abelhas em ambientes urbanos têm sido realizadas por diversas organizações.

Além destas ações, várias outras devem ser realizadas para proteger as abelhas. A principal delas, segundo Fábia Pereira, é a preservação ambiental.

O controle do uso de agrotóxicos e o estímulo à substituição destes por defensivos biológicos também podem contribuir para reverter essa situação.

Mas, para a pesquisadora, entre tantas ações que podem ser realizadas, talvez a principal seja a educação.

“Conscientizar a população da importância das abelhas e da preservação ambiental é fundamental, já que muitas ações podem ser realizadas em casa e exigem a mudança dos hábitos diários da população, como redução do lixo, uso racional da água, manter um jardim com plantas atrativas para polinizadores e até mesmo a manutenção de colmeias de abelhas-sem-ferrão em casa”, conclui.

Adaptado de Eugênia Ribeiro, da Embrapa

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