advertências nutricionais

ONU recomenda que embalagens destaquem advertências nutricionais

A ONU recomenda que embalagens de alimentos no Brasil destaquem advertências nutricionais!

Em um painel técnico realizado em novembro pela ANVISA e pelo Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reforçou suas recomendações para a adoção de ícones frontais de advertências nutricionais na rotulagem de alimentos no Brasil.

Embalagem fictícia e meramente ilustrativa.

Embalagem fictícia e meramente ilustrativa.

A OPAS recomenda que os ícones de advertências nutricionais estejam na parte superior das embalagens, ocupando ao menos 30% da rotulagem frontal. A sugestão do espaço a ser ocupado leva em conta o fato de que esses alertas competirão com outros elementos da embalagem, como cores e desenhos.

“O ícone precisa ser simples e de fácil interpretação para que os consumidores entendam. Um sistema de rotulagem complicado não será efetivo”, afirmou Fábio da Silva Gomes, assessor regional de nutrição da OPAS.

Gomes expôs aos participantes do painel técnico evidências que sustentam a recomendação do uso de ícones de advertências nutricionais em forma de octógonos com fundo preto e letras brancas, destacados na rotulagem frontal.

“Recomendamos aos países da região, de forma sistemática, a adoção desse modelo. Evidências da psicofísica mostram que esse é o melhor contraste para o olho humano, justamente por facilitar a leitura”, afirmou.

O rótulo de alimentos processados e ultraprocessados deve conter os seguintes alertas: “muito açúcar”, “muito sódio”, “muita gordura saturada”, “contêm adoçantes” e/ou “contém gordura trans”.

Segundo o assessor regional, há também evidências que comprovam que os consumidores não costumam empregar muito esforço cognitivo na hora da compra.

“No caso de compras e decisões repetidas, como acontece com os alimentos, o esforço e o tempo são ainda menores. O tempo de escolha de um produto tende a ser curto, variando entre quatro e oito segundos”, alerta.

Outro ponto abordado foram as informações e números dispostos na rotulagem de produtos alimentícios que utilizam unidades diferentes e podem confundir o consumidor.

Estudos revelam que “o grau de abstração aumenta quando as alternativas se tornam não comparáveis. Há valores em gramas e porções, entre outras unidades. As pessoas não conseguem comparar um produto com outro, pois para isso teriam que fazer várias ‘regras de três’ para conferir quanto açúcar e gordura cada um deles têm.”

Personagens do universo infanto-juvenil, imagens e referências a produtos frescos (frutas, por exemplo), alegações sobre micronutrientes e benefícios à saúde, além de promoções, também são considerados danosos, já que tiram o foco do consumidor em relação às informações nutricionais.

Para definir exatamente quais quantidades representam uma excessiva quantidade de sódio, açúcar, “contêm adoçantes” ou “contém gordura trans”, entre outros, foi criado o Modelo de Perfil Nutricional da Organização Pan-Americana da Saúde.

Essa ferramenta é usada para classificar bebidas e alimentos processados e ultraprocessados, identificando os que contêm excesso de nutrientes críticos.

O Perfil Nutricional da OPAS é baseado nas metas de ingestão de nutrientes estabelecidas pela OMS para a prevenção da obesidade e das doenças crônicas não transmissíveis. Seu conteúdo foi elaborado por um grupo de pesquisadores da Região das Américas, após análise de robustas evidências científicas internacionais.

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