Círio de Nazaré

Comidas típicas movimentam o Círio de Nazaré

Na época do Círio de Nazaré, o inconfundível aroma do pato-no-tucupi, maniçoba e tacacá espalham-se pelos 4 cantos da cidade de Belém do Pará.

A inexistência de dados estatísticos não limita a tecer algumas especulações quanto ao consumo de jambu, tucupi e de aves (frango, pato, peru e chester), no domingo do Círio de Nazaré, para avaliar o volume de negócios e a importância que um maior planejamento poderia representar para a agricultura regional.

A estimativa da Diretoria da Festa do Círio de Nazaré e do Dieese/PA é que mais de 2 milhões de pessoas acompanharam o Círio de Nazaré em 2016. Considerando que 20% desses romeiros iriam consumir o tradicional pato no tucupi no almoço daria 400 mil pessoas.

Outra pressuposição é que cinco pessoas consumiriam o equivalente a um pato. Dessa forma teríamos um consumo de 80 mil patos, 240 mil litros de tucupi (12 caminhões tanque com capacidade de 20 mil litros) e 240 mil maços de jambu.

Para atender este consumo seriam necessários 5 hectares de canteiros de jambu e de 27 hectares de mandioca para a extração de tucupi para ser consumida em apenas 1 dia.

Significa geração de renda e emprego para pequenos produtores localizados na zona Bragantina e, principalmente, nos municípios de Santo Antônio do Tauá e Santa Izabel do Pará, com destaque na produção de jambu.

Creio que muitas pessoas devem ter questionado, ao saborear essas iguarias paraenses, quem foi o descobridor de que as folhas de jambu, o tucupi ou as folhas venenosas da mandioca cozida poderiam ser aproveitadas? O mesmo vale para a farinha de mandioca proveniente de uma raiz mortal. Não existe invenção maior do que a farinha de mandioca.

Segundo o ditado popular “aumenta o pouco, esfria o quente, engrossa o ralo e alimenta a gente”. Prático para armazenar, transportar, pronto para consumir, entre outras vantagens. Moldou a civilização brasileira e mundial e vem despertando o interesse dos grandes empresários no seu cultivo mecanizado.

Devemos aos indígenas da Amazônia a descoberta do jambu e do tucupi que foram combinadas com o saber dos escravos africanos no aproveitamento das folhas de mandioca cozida, criando a nossa feijoada verde.

A expansão do cultivo do jambu enseja, portanto, algumas lições importantes para o desenvolvimento regional. No momento, fica-se discutindo muito sobre a biodiversidade amazônica como algo mágico que vai salvar a região.

O exemplo do jambu mostra a importância que devemos dar para os recursos da biodiversidade, à medida em que são domesticados e aqueles que já são cultivados.

O uso tradicional do jambu foi ampliado como ingrediente de pizzas, coxinhas, arroz, cachaça, licor, cosméticos, fármacos, entre outros. E o jambu já está sendo cultivado em São Paulo e em diversos países como a China, Índia e Japão.

E você sabia que os dados mostram que o desperdício de alimento no mundo seria capaz de acabar com a fome no planeta? Clique aqui.

Adaptado da Embrapa

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