conservantes naturais

Pesquisa trabalha para introduzir os conservantes naturais

O Foodnews destaca algumas das discussões e o avanço nas pesquisas para viabilizar o uso dos conservantes naturais na indústria de alimentação.

Os conservantes são responsáveis por prolongar o tempo de conservação dos alimentos, protegendo-os de alterações decorrentes da ação de micro-organismos ou de enzimas. Na medida certa, garantem os especialistas, não fazem mal à saúde mas, mesmo assim, essas substâncias são muito criticadas.

Embora a grande maioria dos conservantes utilizados atualmente seja sintética (fabricada pela indústria), pesquisadores de diversas partes do mundo vêm estudando compostos antimicrobianos naturais, ou seja, conservantes naturais, geralmente extraídos de plantas. Há os óleos essenciais e os compostos fenólicos, um grupo amplo, com mais de oito mil tipos de moléculas, além de outros compostos.

Diversas plantas podem gerar óleos essenciais e, de acordo com Uelinton Pinto, pesquisador e um dos coordenadores de Educação e Difusão do Conhecimento do FoRC, eles são fáceis de se obter.

“A questão aqui é que todos os órgãos internacionais exigem pureza dos compostos para utilização em alimentos, ou seja: tem de haver a certeza de que o que é adicionado ao alimento é um produto puro e seguro. Nos compostos sintéticos, é possível assegurar a pureza. Nos conservantes naturais, há uma mistura. Muitas vezes não se sabe tudo o que está ali. Então não vejo, necessariamente, o fato de se optar por algo natural como uma coisa boa. É preciso agir com cautela. Até mesmo para se colocar um óleo essencial em escala industrial terão de ser feitos estudos toxicológicos, para garantir que ele não tenha efeito indesejado.”

O pesquisador e alguns colegas têm trabalhado com os conservantes naturais. Em altas concentrações, eles matam os micro-organismos. Mas o que acontece quando as concentrações são baixas? É justamente isso que eles querem saber. “Estudamos o que esses compostos causam na fisiologia dos micro-organismos quando são diluídos; queremos saber se eles têm algum efeito. O que nos interessa é saber se, em baixas concentrações, eles interferem na capacidade das células de se comunicarem umas com as outras. E temos visto que, mesmo diluindo bastante esses compostos, às vezes conseguimos concentrações que interferem na sinalização das células e com isso, elas não produzem determinados fatores de virulência e deixam de formar biofilme em superfícies de contato com os alimentos… A formação de biofilmes é um problema para a indústria de alimentos, já que neles, as células microbianas são mais resistentes aos agentes de limpeza e sanitização, dificultando sua eliminação das superfícies. Estamos empenhados em estudar as novas funções desses compostos e seus possíveis usos.”

Uelinton ressalta que muitos compostos naturais ainda não são usados como conservantes naturais, pois há alguns problemas tecnológicos. “Os sintéticos têm estabilidade durante o uso. A indústria usa e sabe que serão efetivos no prazo de validade dos alimentos. Mas não se sabe exatamente qual a estabilidade dos compostos naturais ao longo do tempo, como é o caso dos compostos fenólicos que tendem a perder eficácia rapidamente. Pode ser que percam a atividade antes do final da vida de prateleira do produto e não garantam a segurança dos mesmos.”

Ele explica que há várias classes de compostos fenólicos: os fenólicos simples, ácidos fenólicos, flavonoides (grupo dividido em várias outras categorias), entre outros. E muitos desses compostos costumam perder atividade ao longo do tempo. “É bastante complexo trabalhar com compostos naturais. Temos sofrido bastante com relação à estabilidade deles. Além disso, alguns, como as antocianinas, têm efeito antimicrobiano mas apresentam uma coloração forte. Se forem usadas, deverão ser adicionadas a alimentos que já têm esse pigmento, nos quais a cor não vai influenciar. Outros têm gosto residual, o que pode influenciar no sabor do alimento.”

A ideia dos cientistas que se dedicam a pesquisar esses compostos seria utilizá-los, isoladamente, como conservantes naturais. Mas ainda há vários problemas a resolver. “Creio que a próxima geração de conservantes vai ser o mais natural possível, tanto quanto conseguirmos resolver essas questões de estabilidade, atividade, gosto residual, cor residual…”

Vale destacar também que as questões relacionadas ao bem-estar animal seguem em destaque no País. Clique aqui e saiba mais do assunto!

Adaptado de Alimentos Sem Mitos

Siga o Foodnews, o canal de notícias da gastronomia!

Pesquisa trabalha para introduzir os conservantes naturais was last modified: by

Especialista em produção animal e interessado em fornecedor conteúdo de qualidade para o setor de alimentação fora do lar!