crise hídrica

O que precisamos aprender com a crise hídrica de 2015?

A crise hídrica recente e o risco da falta de água ressaltou a importância da questão não apenas para nossas necessidades diárias, mas também para a produção de alimentos e de energia.

Afinal de contas, será que já esquecemos das dificuldades por que passamos e dos riscos associados não somente as novas atividades cotidianas, mas na produção de alimentos e de energia?

O que precisamos aprender com a crise hídrica de 2014 e 2105?

Temos muito a aprender, principalmente no quesito gerenciamento eficiente dos recursos hídricos.

Referindo-se a um passado bastante recente, a crise hídrica de 2014 e 2015, a secretária de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo e professora da Universidade de São Paulo, Monica Porto, diz que embora o Brasil tenha sido pioneiro na gestão do uso dos recursos hídricos, até hoje o país não enfrentou o desafio de pensar o gerenciamento do uso da água de forma integrada.

Isto é, considerando tanto a produção de energia e quanto a de alimentos. “Ao se falar em segurança hídrica, pensa-se em reuso da água e dessalinização. Alternativas com um potencial enorme para minimizar uma crise hídrica de um lado, mas capazes de pressionar ainda mais o consumo de água.

O mesmo acontece quando se fala em biocombustíveis. Melhoro a matriz energética, mas pressiono a matriz da água. É preciso que se olhe para essas inter-relações que acontecem com o uso da água”, ressaltou Monica.

Para Monica, a crise hídrica de 2014 e 2015 trouxe uma série de lições. Uma delas, a urgência de se reduzir o risco de desabastecimento às populações.

“É preciso mudar a forma de gerir a água nas cidades. Temos que colocar na prática a noção de uso múltiplo da água. Pela complexidade do tema, temos dificuldades em esclarecer os múltiplos uso dos recursos hídricos a fim de se manter as seguranças alimentar, hídrica e energética”, afirmou.

De acordo com Monica, “É preciso repensar esse sistema de gestão da água para não passarmos novamente pela mesma situação de crise hídrica que vivemos.

Existe uma necessidade urgente de se desenvolver conceitos de gestão de risco, prevenção e preparação. É preciso que se pense em investimentos em desenvolvimento tecnológico, mas também institucional, por meio da melhoria de alternativas ao sistema econômico, por exemplo. Seja por meio do uso de financiamentos, indenizações a agricultores ou seguros que protejam determinados setores num momento em que tenho que privilegiar um uso da água ao outro”, sugeriu Monica.

A especialista referiu-se, especialmente, à agricultura irrigada, que consome 75% da água disponibilizada, visto que seu sistema não prevê um reaproveitamento. Enquanto isso, a indústria consume só 6%.

“Na crise de 2014 e 2015, houve um impacto significante no abastecimento do cinturão agrícola de São Paulo. Se parássemos a irrigação, comprometeríamos também o abastecimento de verduras de toda a Região Metropolitana de São Paulo. Por tudo isso, é preciso repensar esse sistema de gestão de água”, enfatizou ela.

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