ENCOVISAS 2018

Confira assuntos discutidos na ENCOVISAS 2018!

ENCOVISAS 2018 discute riscos sanitários, novas legislações e gestão de processos sustentáveis em restaurantes. Confira assuntos discutidos no evento!

A ANR realizou, no dia 2 de agosto, o ENCOVISAS 2018 – Encontro Nacional de Vigilâncias Sanitárias, maior evento do segmento no país. Dividido em quatro painéis, o encontro debateu os avanços nas novas legislações, riscos sanitários nos restaurantes de aeroportos e a gestão de processos sustentáveis nos estabelecimentos de alimentação fora do lar. Participaram responsáveis técnicos, empresários e autoridades sanitárias de alimentos de todo o país, que lotaram o auditório do hotel Meliá Jardim Europa, em São Paulo.

O presidente da ANR, Cristiano Melles, abriu o ENCOVISAS 2018 e ressaltou a importância do encontro, sobretudo diante de novas normas que surgem ano a ano, seja nas esferas municipal, estadual ou federal. Melles também fez menção à paralisação dos caminhoneiros no contexto da conservação dos alimentos. “Administrar esse período foi bem difícil, uma vez que nossos associados seguem todas as normas à risca. Alguns estabelecimentos precisaram fechar as portas e outros tiveram que readequar seus processos para garantir a oferta de produtos dentro da validade, com a qualidade e a excelência fundamentais no nosso negócio”, afirmou.

Logo na sequência, Laila Mouawad, gerente de Inspeção e Fiscalização da ANVISA, subiu ao palco para apresentar as iniciativas da Agência para o setor. “Queremos descentralizar as ações e, para isso, nossa prioridade é apoiar as VISAs locais, fortalecendo o trabalho delas”, afirmou.

As apresentações na íntegra da ENCOVISAS 2018 podem ser solicitadas diretamente por e-mail para comunicacao@anrbrasil.org.br.

Confira as discussões do painel da ENCOVISAS 2018:

Painéis da manhã: Riscos Sanitários e Legislações

O primeiro painel do dia, “Risco sanitário em restaurantes de aeroportos – a visão da autoridade fiscalizadora”, contou com a participação de quatro profissionais para debater o tema. Julio César Colpo, especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da ANVISA em Porto Alegre (RS), deu início aos debates mostrando os conceitos da vigilância sanitária para riscos e as ferramentas utilizadas para controle. Ele contou, ainda, um pouco da experiência implementada no aeroporto Salgado Filho. “Antes dos estabelecimentos se instalarem, eles dividem com a gente o projeto. Sentamos junto com o concessionário e com a administração para estabelecer e avaliar as plantas. A experiência tem dado muito certo”, afirmou.

Na sequência, Wanda Fornaciari, chefe substituta de posto aeroportuário da ANVISA, comentou os desafios de controlar os riscos sanitários em dois dos principais aeroportos do país: Guarulhos e Congonhas. “Para mitigar os riscos, investimos em reuniões técnicas, palestras, na utilização de ferramentas de gestão e, principalmente, na sensibilização das administradoras portuárias para o compartilhamento das plantas dos projetos”, explicou.

Yunes Baptista, chefe da ANVISA no Aeroporto de Viracopos em Campinas (SP), comentou que medir o risco é um dos processos mais difíceis na área, já que envolve o fator humano. “Gestão de risco é um sistema contínuo, que opera de acordo com a localização que estamos. A experiência de um esquimó não pode ser comparada com a de um índio da Amazônia. O principio é o mesmo, mas os itens envolvidos são outros e isso muda a equação.”

Fechando as apresentações, Elke Stedefeldt, professora da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), propôs ao público um exercício para identificação de risco. “Cabe a nós conhecer os perigos de cada item de controle. Não dá para fazer algo só porque está na lei. Tem que ir além, entender os itens e seus prováveis perigos”, frisou.

O segundo painel do dia, “Legislações relacionadas à informação nutricional e alergênicos em serviços de alimentação”, foi aberto por Fabiana de Vita, membro do GT-Técnico da ANR. A nutricionista, gerente de Qualidade do Grupo Habib’s, destacou a dificuldade do setor diante da grande quantidade de leis, em todas as esferas, que impõem uma série de obrigações às empresas de alimentação fora do lar, principalmente para as grandes redes que atuam nacionalmente. “Precisamos começar a participar um pouco mais da regulamentação e avaliar como podemos trazer para o comércio varejista e para o público final o conhecimento do que está sendo falado e estudado antes da publicação efetiva de uma nova lei.”

Rodrigo Martins de Vargas, especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da ANVISA, aproveitou a oportunidade para cobrar uma participação mais ativa dos profissionais do segmento. “Não adianta baixar uma norma e ponto. Precisamos entregar capacitação, orientação, engajar os setores e ai sim instalar a regulamentação. Por isso, participem do processo regulatório. O envolvimento de vocês é essencial”, destacou.

Daniele Küster Leal, fiscal da Vigilância Sanitária de Curitiba (PR), dividiu com o público sua experiência com a legislação vigente no estado que exige informação do valor calórico dos alimentos e da presença de glúten e lactose. “Na prática, ainda não estamos conseguindo fazer a fiscalização porque é uma lei que precisa de regulamentação, principalmente pela questão do glúten. É praticamente impossível solicitar isso para um estabelecimento”, pontuou.

Finalizando o painel, Tania Maria de Souza Agostinho, chefe da Vigilância Sanitária de Alimentos de Goiânia (GO), apresentou algumas propostas para garantir o cumprimento das leis. “Nossa sugestão é criar um app, uma ferramenta que contenha as informações do cardápio para facilitar o entendimento do consumidor final.”

Parte da tarde: Gestão de procedimento sanitário e processos sustentáveis

Na parte da tarde do ENCOVISAS 2018, foram realizados outros dois painéis: “Gestão de procedimentos sanitários e meios de comunicação para o setor regulado” e “Gestão de processos sustentáveis em restaurantes – Ganhos e desafios para comunidade, empresas e colaboradores”.

No primeiro, Elisângela Neves dos Santos, nutricionista Fiscal Sanitário da VISA de Uberlândia (MG), iniciou destacando a importância de refletir sobre procedimentos e a promoção de diálogo para fortalecer a comunicação. “Ao longo dos anos vão surgindo desafios que aparecem por conta das mudanças no mercado de consumo, das transformações de normas e do incremento de novas atividades”, argumentou.

Isabel Andrade Morais, diretora Técnica do CVS-SP, afirmou que a harmonização de procedimentos depende do equilíbrio entre o conhecimento e o interesse da população. “O rito processual é a ferramenta para construir o diálogo”, disse.

Em seguida, Paula Marques Rivas, chefe da equipe de Vigilância de Alimentos de Porto Alegre, destacou o valor da capacitação permanente e da compreensão das leis. “Para haver congruência naquilo que vamos comunicar, é preciso ter congruência dentro da equipe”, comentou.

Na sequência, o último painel do dia teve como foco a sustentabilidade. O debate contou com a participação de Leonardo Lima, diretor corporativo de Desenvolvimento Sustentável da Arcos Dourados. Ele destacou o grande desafio de todos para rever atitudes e reduzir o desperdício. “Temos que ter um consumo consciente de água e energia e atenção à gestão de resíduos. Se continuarmos utilizando os recursos deste planeta como estamos fazendo, algo não muito bom vem pela frente”, afirmou.

Leonardo ainda alertou para o perigo dos chamados “efeitos-manada”, como no caso da lei dos canudos (aprovada recentemente no estado do Rio de Janeiro, que obriga bares e restaurantes a substituírem os canudos de plástico por opções reutilizáveis ou biodegradáveis, e que já começa a ser discutida e aprovada em outros estados e municípios brasileiros). Ele reforçou a necessidade de um olhar atento às novas legislações vendidas como benéficas, mas com pouco valor prático diante de questões muito maiores como o desperdício e a fome no planeta.

Para Gisele Haiek, coordenadora de Segurança Alimentar no Grupo Ráscal, são nos momentos de crise que nascem soluções eficientes. “A crise vem para abrir os nossos olhos de que dá pra fazer um bom trabalho, buscando alternativas que gerem economia para nós e ganhos para o meio ambiente”, ressaltou.

Clique aqui e confira iniciativas que visam o combate ao desperdício de alimentos no Brasil.

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A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) reúne e representa empresários de todo porte do setor de food service em suas relações com os poderes públicos, entidades de trabalhadores e junto à sociedade em geral. A ANR tem hoje cerca de 500 associados que reúnem mais de 6.000 pontos comerciais no Brasil, entre restaurantes independentes e grandes redes de alimentação.