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Por que a manteiga está tão cara em 2017?

A expressiva valorização da manteiga nos primeiros 5 meses deste ano chamou a atenção do setor de pecuária leiteira.

No acumulado de janeiro a maio, o preço médio do derivado negociado nos atacados do Rio Grande do Sul subiu 10,3%, segundo pesquisas do Cepea.

Em maio, a cotação da manteiga chegou ao maior patamar da série histórica, iniciada em 2004, de R$23,39/kg, 18,2% acima do registrado em maio de 2016 (dados deflacionados pelo IPCA de mai-16).

A forte valorização do derivado está atrelada à escassez de matéria gorda para a sua produção, o que indica um problema estrutural da cadeia láctea brasileira. Um dos motivos que explica esse cenário é o desequilíbrio entre oferta e demanda.

A consultoria Kantar WorldPanel estima que, de 2014 a 2016, o consumo de manteiga no país tenha aumentado 6,5%. Ao mesmo tempo, a produção nacional caiu 6,4%, segundo a Pesquisa Trimestral do Leite (PTL), do IBGE.

Contudo, o “x” da questão está dentro da porteira: o leite brasileiro não tem teores elevados de gordura, principalmente pelo fato de a produção ainda ser pouco especializada na maioria do território nacional.

Soma-se a isso o fato de que a produção de leites desnatados não é majoritária, resultando em baixo excedente de gordura, o que afeta a produção da manteiga.

De acordo com levantamento realizado pelo projeto Campo Futuro, parceria entre o Cepea e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a maioria das propriedades modais do Brasil tem rebanho pouco especializado para a produção de leite, o que reflete em menor qualidade quanto ao teor de gordura.

Além disso, a composição do leite é fortemente influenciada pela alimentação do animal. Pesquisas indicam que a concentração de gordura pode variar até três unidades percentuais por meio da manipulação na dieta, dependendo da genética animal.

Segundo dados do projeto, a maioria das propriedades modais do País não realiza o manejo adequado da alimentação do rebanho, tanto pelo baixo investimento em formação e manutenção de pastagens quanto pelo fornecimento de porções de ração inferiores às necessidades dos animais.

Em meio a esses gargalos produtivos, a produção gaúcha se destaca pelos avanços conquistados. Segundo o levantamento do Campo Futuro no Rio Grande do Sul, as propriedades modais de Palmeira das Missões, Pelotas e Cruz Alta têm rebanho de vacas holandesas, e a de Três de Maio possui rebanho misto de vacas holandesas e jersey.

Além disso, a produção gaúcha é mais intensificada, de modo que as áreas de silagem são consideravelmente maiores do que nas outras regiões do Brasil. Devido ao clima mais frio que no restante do país, o Estado produz culturas de inverno, como sorgo, aveia e azevém, o que assegura a alimentação adequada do rebanho.

Já em relação às pastagens, mais investimentos, como o uso de cultivares de alta qualidade, como o tifton, são feitos na comparação com outros Estados.

Do campo à mesa, tudo está conectado e muito ainda pode ser feito para diminuir a escassez de matéria gorda no Brasil. Nesse cenário, o Rio Grande do Sul tem muito a ensinar e a contribuir. E, diante da vocação gaúcha para a atividade leiteira, o problema pode virar oportunidade.

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Sergio De Zen
Professor Dr. da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Esalq (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), e pesquisador responsável pela área de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP

Natália Salaro Grigol
Mestre em Ciências pelo Cena-Esalq/USP, cientista de alimentos peal Esalq/USP e pesquisadora da Equipe Leite do Cepea

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